Cadastre-se e receba em seu e-mail o Informativo Ouvir Faz Bem
Comportamento Últimas notícias O que é... Como funciona? Minha história Pergunte ao Especialista
 
 
Sem limites para voar
Jovem alagoano luta para se tornar o 1º piloto surdo do Brasil
Compartilhar:
20/07/2015

O sonho de voar faz parte do imaginário dos seres humanos desde os primórdios, mas foi graças aos irmãos Wright e ao brasileiro Santos-Dumont (considerados os grandes percursores da aviação) que a humanidade, enfim, ganhou os céus a bordo de uma aeronave. Não à toa, o desejo de pilotar um avião para desbravar o mundo não sai da cabeça de milhares de meninos pelo Brasil. O alagoano João Paulo Marinho dos Santos é um bom exemplo disso. Ele se apaixonou pelo universo da aviação lá na década de 80, quando se deparou, ainda criança, com um Boeing 737-200, no Aeroporto Internacional de Maceió. Apesar disso e de todo o seu esforço para passar pelo rigoroso processo de formação de pilotos, ele ainda luta para que a sua deficiência auditiva não seja mais vista como um fator determinante contra o seu direito de conduzir aviões de forma oficial no País.

Diagnosticado com perda de audição nos dois ouvidos (perda total no esquerdo e quase total no direito) desde o nascimento, devido a uma rubéola contraída por sua mãe durante a gestação, João Paulo, que se comunica pela Língua Brasileira de Sinais (Libras) e leitura labial, é um daqueles exemplos de que vocação realmente existe. “Ele gosta de avião desde pequeno. Meu cunhado trabalhava na Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) e o levava sempre pra lá. Então ele cresceu nesse meio e tinha Santos-Dumont como ídolo. Ele dizia que iria criar o ‘15-Bis (risos)’”, lembra Maria do Carmo Marinho, mãe do rapaz.

Atualmente com 28 anos, João Paulo foi certificado em 2013 como o piloto privado pela escola de Aviação Civil NAV Treinamentos, além de ser aprovado nos testes teóricos da Escola de Aviação Civil de Piloto Privado, de Recife. Porém, foi reprovado na avaliação médica devido à deficiência auditiva, pois o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil n° 67, que trata dos requisitos para a concessão de Certificado Médico Aeronáutico (CMA), no item 67.221, dispõe que o candidato a piloto deva ser capaz de ouvir uma voz em intensidade normal, em pelo menos um dos ouvidos.

Diante da negativa no exame da Escola de Aviação Civil de Piloto Privado, o alagoano busca junto às autoridades da aviação civil nacional o direito de exercer a função de piloto privado, tentando fazer com que o Brasil incorpore em sua legislação, assim como outros países já fizeram, princípios para a inclusão de pessoas com perda total de audição na aviação brasileira. Sem qualquer apoio jurídico, João Paulo tem tido diversas reuniões com os diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para articular, inclusive, a adoção do sistema Padrão Surdo da Aviação, que prevê a utilização de equipamentos nas aeronaves, capazes de converter informações em textos, garantindo assim a acessibilidade durante os voos para pilotos com deficiência auditiva total. “Nesses encontros, mostrei a eles o crescimento do número de surdos interessados em pilotar aeronaves e que, apesar da limitação auditiva, todos nós somos capazes de guiar aviões com segurança”, afirma o jovem que é líder do grupo “Aviação dos Surdos”, pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis).

Apesar de tanto esforço, ainda não há nenhum procedimento sendo realizado pela ANAC para adotar o sistema Padrão Surdo no País. “Eu espero que ele realize esse sonho um dia, mas ele luta sozinho, infelizmente. As pessoas não dão apoio, não acreditam. O preconceito ainda é enorme. Se acontece um acidente de avião com um piloto surdo no comando, por exemplo, todo mundo vai dizer que aconteceu porque o comandante não ouvia. É uma batalha muito difícil”, lamenta Maria do Carmo.

Pai de um garoto de três anos, João Paulo, que é graduado em Ciências da Computação e sempre passou por boas escolas com o auxílio de bolsas de estudos, até se afastou do trabalho para conquistar o direito de comandar um avião direto da cabine. “A emoção que sinto ao pilotar é imensa, é uma sensação inexplicável”, resume.

Compartilhar:
Comentar
 
Seja o primeiro a comentar o assunto!
 
 
 
 
O que é...
 
 
 
 
© 2010 Audibel Quem somos | Audibel | Projeto Passe Adiante | Sala de Imprensa | Termos e condições de uso | Política de privacidade | Contato | Créditos
 
 
Mapa do site
Faz bem seguir:
facebook orkut twitter